A relação entre o Personal Branding e o mundo autônomo é inevitável.

Para mim, começou no momento em que eu saí de uma sociedade e comecei a buscar o meu caminho solo. E apesar de esse ser um assunto que deve ser falado independente da atuação, cargo ou idade, os primeiros adeptos são aqueles que se veem dependendo da sua própria reputação para oferecerem seus serviços e produtos.

É libertadora a ideia de que o mundo está se movendo em direção à “_Gig Economy_” ou “Economia sob demanda”, um cenário em que o trabalho pode ser mais fluido, remoto, baseado não apenas em diplomas e títulos, mas naquilo que você tem como habilidade ou mesmo interesses. Segundo um relatório recente do Upwork, em uma década a maior parte da população trabalhadora nos EUA será composta por freelancers.

É libertador porque afinal, para que sermos colocados em caixas, limitados a uma só carreira ou habilidade e oferece-las apenas por meio de empresas ou de um determinado formato?

Ao mesmo tempo, esse é um mercado que se torna cada vez mais competitivo em nível global. Como se destacar com relevância nesse mar de ofertas? Para os nômades digitais, o desafio ainda é maior por depender ainda mais da reputação online.

Muitos dos meus colaboradores são freelancers. E eu, como consultora, também sigo a mesma forma de trabalho, remoto, online e dependo de minhas habilidades para a entrega.

Sou também usuária do Upwork e por lá já contratei e orientei diversos profissionais de vários lugares do mundo. O que observo é um amadurecimento e definição cada vez maior de quem eles são e do que entregam de valor. A entrega por lá é clara e a promessa também.

E é disso que se trata a gestão da sua marca pessoal. É entender quem você é, como você se posiciona e o que você promete e entrega de valor ao outro. E a entrega consistente de uma promessa é o que define uma marca forte. E o que uma marca forte deixa de ser é uma commodity, brigando em seu meio apenas por preço.

Leia mais: O que é Personal Branding x Marketing Pessoal

Tom Peters, o primeiro a falar sobre o conceito, em 1997 já dizia que atualmente (isso em 97!) a nossa tarefa mais importante é ser CEO de uma empresa chamada Você ltda.

E com o mercado se movendo nessa direção é melhor você começar a ser head de marketing dessa “empresa” para alcançar um espaço na mente do seu público.

 

Algumas dicas:

1)  Entenda o que torna único

Pode parecer óbvio e ao mesmo tempo confuso saber por onde começar. O Personal Branding tem como filosofia a ideia de que cada um de nós somos únicos, pelo simples fato de que cada um carrega um misto de histórias, trajetória, personalidade, interesses e habilidades. Por que não reforçar aquilo que temos de especial?

É difícil diferenciar produtos, serviços ou habilidades técnicas por si só. Em nossa cabeça como consumidores, tudo se funde como uma única coisa. É difícil comparar atributos e características funcionais.

Por outro lado, é mais fácil saber se trabalhar com você é a escolha certa naquele momento ou não. A segurança de que a promessa será entregue e da forma como o relacionamento se dá, cria esse atalho para que a escolha seja feita.  E essa segurança em prometer, em entender como você se relaciona e entrega o que tem de valor de forma única ao outro surge quando temos a clareza de nossas marcas e de por que somos diferentes. Mesmo em um mercado com outras centenas de pessoas oferecendo a mesma entrega.

Por que você? Além da sua credibilidade técnica e de resultados, por que trabalhar com você?

 

2) Adicione personalidade

Foi-se a época em que nos conectávamos e confiávamos em marcas institucionais sem emoções ou voz própria. O que dizer então de pessoas que se misturam ao cenário e não transmitem nenhum tipo de personalidade ou paixão? Elas desaparecem. Mesmo que suas habilidades sejam extraordinárias e as demandas continuem vindo sem trégua, não há porque não engajar e se conectar de maneira mais significativa com o seu público. Ter a sua própria comunidade ou evangelistas é o que diferenciam marcas fortes de outras.

Qual a sua personalidade? Ela se transmite online, na sua imagem e na forma como você se relaciona? Qual a sua comunidade? No que você acredita?

3) Seja claro

Na sua promessa de entrega e na sua comunicação. Muitas vezes o uso de palavras vazias ou clichê surge pela falta de clareza do que é entregue, de processos, da importância do que faz ou mesmo de insegurança de prometer algo ao outro. Assim, é mais fácil rodear do que deixar claro o que é e o que não é.

Dica: quebre em etapas menores e descreva um passo a passo da forma como trabalha e da entrega final. Fique atento aos comentários dos clientes com relação ao que entrega. Esses comentários podem endossar o seu valor como profissional e te ajudar a comunicá-lo para outros clientes.

 

4) Domine o seu nicho

O objetivo da gestão da sua marca pessoal é fazer com que todos os pontos de contato da sua marca trabalhem a seu favor para que você então seja lembrado e procurado por aquilo que tem a receber. Para ser o número 1 na mente do seu público alvo.

Entretanto se o mercado onde quer se posicionar for tão amplo como design ou fotografia, por exemplo, você estará batalhando com milhares de pessoas para ocupar a mente de um público geral que procura por esses serviços.

O objetivo aqui é que você seja um peixe grande em um aquário pequeno e domine o seu nicho. Para que isso aconteça, segmentar um público alvo ou especializar-se em sua área pode ser uma boa estratégia. Isso para que o vínculo com o outro seja ainda mais forte (já que você entende a dor dele, oferece o que ele procura e se comunica com a mesma linguagem) e a escolha por você seja inevitável. 

Reflita: Existe algum público específico com o qual se identifica mais? Existe algum produto ou serviço no qual pode se especializar e com o tempo oferecer dezenas de cases para seus clientes? Ou será que alguma habilidade sua pode ser reforçada em suas entregas, mesmo que sejam variadas.

Marcas fortes são tought leaders em suas áreas de atuação. Mas a sua área não precisa ser um mercado de massa. Você pode criar a sua e dominá-la.

Leia mais: Posicionamento – Você tem definido ou ainda é  tudo para todos?

 

5) Consistência

O segredo do sucesso está na consistência, seja na entrega de uma promessa, no relacionamento com o outro ou na comunicação. Nós inconscientemente estamos sempre buscando por incoerências para justificar nossas escolhas e não nos decepcionarmos. É nosso papel dificultarmos que essas incoerências surjam.
Sendo assim, é importante refletir sobre todos os seus pontos de contato com o outro. Online e off-line.

Será que a maneira como você se veste condiz com a sua personalidade e conversa com o seu público? Será que a sua imagem online reflete quem o seu passado ou o seu futuro? Será que há um alinhamento entre o seu discurso, as suas palavras e o que realmente acredita? Será que os seus materiais visuais refletem a sua identidade?

São pequenos detalhes que podem endossar ou prejudicar a sua reputação, já que a sua marca é um quebra cabeça. Você quer que todas as peças conversem entre si para que a sua mensagem chegue de forma consistente ao seu público alvo e isso se converta em mais oportunidades para você.

 

Se você está lendo esse blog eu tenho certeza de que tem muito valor a oferecer ao outro e está sempre em busca de ser melhor. E o mercado tem carência de bons profissionais. Mesmo com um mar de gente online.

Se você está em busca de maior demanda e valorização do seu trabalho, talvez a resposta esteja na redefinição da sua estratégia de posicionamento e comunicação, na estratégia da sua marca pessoal.

O papel do Personal Branding é criar esse atalho e fazer com que o seu público veja você como a melhor escolha.

Mas será que você facilita essa escolha?